Medição é o processo de registrar, conferir e aceitar a quantidade usada para aplicar a regra financeira do contrato. Em alimentação coletiva, essa quantidade pode ter relação com refeições servidas, solicitadas, aprovadas ou outro critério previsto no instrumento.
O faturamento deve começar somente depois que a medida aplicável estiver identificada e conciliada. Se previsão, produção e serviço forem tratados como o mesmo número, a operação perde a explicação das diferenças e corre o risco de aplicar uma tarifa sobre a base errada.
A sequência do processo
Resposta direta
O contrato define serviço, unidade de medida, tarifa, vigência e evidências. A operação registra os fatos, as partes conciliam divergências, a quantidade faturável é aceita e o boletim aplica a tarifa vigente.
Cada contrato pode adotar uma regra diferente. Um edital da Unipampa usa refeições efetivamente fornecidas e aplicação de preços unitários às quantidades servidas, com conferência e ateste. Esse é um exemplo concreto, não uma regra universal para todo contrato.
Em contratos administrativos, a Lei nº 14.133/2021 e normas de gestão contratual ajudam a entender fiscalização, recebimento e pagamento. Contratos privados devem seguir suas próprias cláusulas e a legislação aplicável.
O que o contrato precisa deixar claro
Antes da primeira medição, identifique serviço, local, calendário, unidade, tarifa, vigência, tributos, evidências, prazo e responsáveis. Se o contrato prevê faixas, mínimo ou regras de ajuste, isso precisa ser modelado ou tratado de forma explícita no boletim.
Critérios objetivos reduzem discussão depois do serviço. O TCU destaca, em seu contexto de contratações públicas, a importância de unidade de medição, registros e critérios mensuráveis. Essa orientação não substitui a leitura do contrato aplicável.
- Serviço e local de execução
- Unidade de medida e fonte do registro
- Tarifa e período de vigência
- Regras para mínimo, faixa, adicional ou glosa
- Documentos e evidências exigidos
- Responsáveis por conferir e atestar
- Prazo de medição, faturamento e pagamento
Medidas operacionais e quantidade faturável
Previsto, solicitado, produzido, servido, medido, aprovado e faturado são fatos diferentes. Uma operação pode não usar todos esses nomes, mas deve manter os que forem necessários para explicar o serviço e a cobrança.
A quantidade faturável é a que atende à regra do contrato e foi aceita conforme o fluxo aplicável. Ela não precisa ser igual ao previsto ou produzido. Quando coincide com servido, essa igualdade deve ser consequência da regra e da conferência, não uma suposição do sistema.
Deslize a tabela para ver todas as colunas.
| Medida | Uso | Não confundir com |
|---|---|---|
| Previsto | Planejamento | Compromisso automático de cobrança |
| Solicitado | Demanda comunicada | Quantidade produzida |
| Produzido | Execução da cozinha | Quantidade distribuída |
| Servido | Distribuição registrada | Quantidade automaticamente faturável |
| Conciliado | Decisão com fonte e motivo | Maior ou menor número escolhido sem regra |
| Faturado | Linha financeira emitida | Medição ainda aberta |
Como conciliar divergências
A conciliação compara fontes e aplica a cláusula de medição. Ela precisa registrar a quantidade aceita, a origem escolhida, a justificativa e o responsável. Quando não existe evidência suficiente, a pendência deve permanecer aberta.
Glosa e ajuste também precisam de fundamento contratual. Não se deve criar um desconto depois do serviço sem critério previamente definido. Se houver disputa, preserve os números originais e os documentos usados por cada parte.
- 01Confirme UAN, data, serviço e unidade de cada registro.
- 02Compare operação, cliente e evidências anexas.
- 03Localize a regra contratual aplicável.
- 04Registre a quantidade aceita, fonte e motivo.
- 05Identifique glosa ou ajuste separadamente.
- 06Submeta o ateste conforme a responsabilidade definida.
Formação do boletim
O boletim transforma quantidades conciliadas em linhas financeiras. Cada linha deve preservar Unidade, serviço, período, quantidade, tarifa e origem da medição. Se houver várias tarifas na mesma competência, separar por vigência é mais transparente que calcular uma média sem previsão contratual.
O documento emitido deve ficar estável. Uma alteração posterior de tarifa não deve reescrever um boletim antigo. Correções precisam seguir um fluxo de ajuste ou nova emissão conforme a regra adotada.
Valor bruto da linha = quantidade faturável aprovada × tarifa contratual vigente
Se a tarifa mudar no período, separe as linhas por janela de vigência, salvo regra contratual diferente.Documento fiscal e recebível são etapas diferentes
O boletim operacional não é necessariamente a nota fiscal. Depois da conferência, a operação pode emitir o documento fiscal no sistema apropriado e registrar sua referência. O recebível acompanha valor, vencimento e registro de pagamento conforme o processo financeiro.
Não presuma conciliação bancária ou confirmação automática. Um registro manual de pagamento precisa identificar data, valor, origem e responsável. Atrasos, ajustes e cancelamentos devem permanecer rastreáveis.
Exemplo com mudança de tarifa
Um contrato teve 1.000 refeições conciliadas na primeira quinzena com tarifa de R$ 18 e 900 na segunda quinzena com tarifa de R$ 19. O boletim deve mostrar duas linhas, cada uma com sua vigência e origem. O valor bruto total é R$ 35.100.
Aplicar uma tarifa média poderia dificultar a conferência e não deve ser recomendado sem previsão contratual. Linhas separadas mostram exatamente qual quantidade usou cada tarifa.
Linha 1: 1.000 × R$ 18,00 = R$ 18.000,00
Linha 2: 900 × R$ 19,00 = R$ 17.100,00
Valor bruto total = R$ 35.100,00Controles antes da emissão
O fechamento deve bloquear a emissão quando falta quantidade conciliada, tarifa válida ou informação exigida pela regra. Esse bloqueio é mais seguro que emitir com zero ou estimativa e corrigir depois.
Uma revisão final deve conferir competência, duplicidade, Unidade, serviço, vigência, quantidade, tarifa, tributo e documento. A trilha precisa permitir voltar da linha do boletim para a medição que a originou.
- Todas as medições do período foram conciliadas
- Não existem datas ou serviços duplicados
- A tarifa é válida para cada linha
- Glosas e ajustes têm fundamento e responsável
- O total pode ser reproduzido pelas linhas
- O documento fiscal externo será referenciado quando aplicável
- O recebível corresponde ao boletim emitido
Referências
As fontes sustentam os conceitos gerais. Regras específicas podem variar conforme contrato, responsável técnico e normas locais.
- [1]Instrução Normativa SEGES/MP nº 5/2017, versão atualizada. Portal de Compras do Governo Federal.
- [2]O que é o Instrumento de Medição de Resultado. Portal de Compras do Governo Federal.
- [3]Lei nº 14.133/2021. Presidência da República.
- [4]Edital com medição de refeições efetivamente fornecidas. Unipampa.
- [5]Manual de Fiscalização dos Serviços de Alimentação. Universidade Federal da Fronteira Sul.
- [6]Critérios de medição e de pagamento. Tribunal de Contas da União.